segunda-feira, 17 de outubro de 2005

A Angústia de uma Espera

Dando prosseguimento aos poemas, aí vai mais um. Antigo, mas mesmo assim sempre atual.
Um dos meus favoritos...

A angústia de uma espera

20/09/95

Coração, velho amigo,
Por que tanto tens batido?
Por quem tanto sofres
E choras e tremes
Deixando-me cansado e doente?

Talvez seja por aquela ingrata
Que te possui e te maltrata
Primeiro te seduz,
Te alegra e te faz cantar.

Depois some
Te deixando com fome
Sem ter como te saciar.

As horas vão passando
A noite vem chegando
E ela nada de ligar

O telefone toca,
Você para.
Te aquieta, idiota!
Era só uma velhota
Procurando um hospital.

As horas ainda passam,
A noite agora é completa.
Onde está minha boneca
Que notícias não tem dado?

Vou dormir contrariado,
Cansado da espera.
Mas qual!
Você está excitado
E o menor ruído nos desperta.

Chega a manhã ensolarada
Mas não nos diz nada
Pois a noite mal dormida
Nos cobra a sua paga.

Passamos o dia amuados,
Nervosos, irritados.
Onde está ela
Que até agora não tem ligado?

Paro para pensar e descubro:
Na verdade estou batendo em um muro.
Ela nunca em mim pensou...
Não valia o tamanho de nossa dor...